Fiquei muito empolgado no começo de Interestelar, quando o fazendeiro vai na escola dos filhos e os professores dizem que a filha menor anda dizendo mentiras, como que os americanos puseram os pés na lua. Como esse filme vai me colocar numa nave espacial num futuro onde todos os humanos viraram fazendeiros e ninguém mais dá valor para a engenharia? Então, uma série de sinais estranhos na biblioteca leva o fazendeiro para uma instalação secreta onde se esconde o que restou da Nasa. Fiquei intrigado, mas, de repente, enquanto explicam como o mundo, a Nasa e a humanidade chegaram naquele ponto, um cientista velho aperta um botão e a parede se abre e vemos uma nave espacial, e o fazendeiro entra na nave e enquanto os outros astronautas explicam como o tempo corre diferente quando atravessamos um buraco negro para quem ficou na terra eu ainda nem entendi o que estava acontecendo na biblioteca na casa do fazendeiro. É como se no filme Jurassic Park, o dono do parque explicasse como eles clonaram os dinossauros enquanto a turma foge dos velociraptors.
Não sou capaz de acompanhar essas duas linhas narrativas sobrepostas, a explicação e a ação.
O filme me pareceu ter muitas boas ideias, mas muitas, muitas. Não sabia se tinha que prestar atenção nas explicações ou nos alçapões se abrindo, e nos robôs caminhando no gelo. Fiquei perdido. Me senti quando coloco o DVD e assisto com o botão dos comentários do diretor ligado, não consegui me decidir entre prestar atenção no que estava sendo falado e na nave atravessando os buracos negros. Sinceramente, porque o personagem do Matt Damon não para de falar um minuto, mal fui capaz de entender o que tinha no planeta dele, ou o que ele estava fazendo no filme. Me senti um velho tentando jogar conversar e jogar videogame ao mesmo tempo. Da próxima vez que assistir vou colocar o filme em câmera lenta e no modo mudo para tentar entender o que está acontecendo.
domingo, 28 de dezembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
BANG BANG À ITALIANA
A primeira vez que assisti a "O BOM, O MAU E O FEIO" era pequeno demais para entender qualquer coisa. O que me marcou foi o duelo final entre os três personagens e eu tinha a sensação de que o filme tinha uma hora de duração só naquele duelo. Assisti muito pequeno ao "ERA UMA VEZ NO OESTE" também e a outros filmes de bang bang à italiana como eram chamados estes filmes de western feitos na europa , não necessariamente na Itália. Meu pai colocava o filme em casa e acho que não ficava se perguntando se eu era pequeno demais para entender o filme, ou a quantidade de tiros. Aos treze anos reassisti a "O BOM, O MAU E O FEIO" (que é como o filme realmente deveria ser traduzido no Brasil e não "Três Homens em Conflito"). Ele se tornou meu filme favorito. Aluguei a orelha dos meus amigos da escola com esse filme, provavelmente durante um mês. Além do estilo história em quadrinhos o que eu adorava no filme era o Lee Van Cleef, que até hoje é um dos meus rostos favoritos no cinema. Meu pai sempre falava que o ator era a cara do meu avô materno,um pouco pra provocar minha mãe que achava o ator feio. Isso deve ter influenciado no meu carinho por Lee Van Cleef, que quase sempre fazia o bandido. John Carpenter deu um papel de mentor para ele em "FUGA DE NOVA YORK" muito tempo depois de Lee já estar fora dos filmes de bang bang e dos seus papéis mais importantes. Na última semana, assisti à exaustão a cena em que ele oferece perdão ao personagem de Kurt Russell. Sinto uma gratidão por Carpenter ter chamado ele quando todos já o tinham esquecido. E por meu pai por ter me mostrado a esses saborosos e inconsequentes filmes de bang bang. Lee Van Cleef morreu em 1989 aos 64 anos, a idade que meu pai completaria amanhã, dia 7, se estivesse vivo.
domingo, 31 de agosto de 2014
KEVIN COSTNER merece mais uma chance?
DANÇA COM LOBOS
1990
Se um executivo em Hollywood assistir a Dança com Lobos hoje sem fazer ideia de quem é Kevin Costner, sem nunca ter visto a um filme dele, provavelmente ligaria imediatamente para o ator propondo milhões de dólares à sua disposição para fazer o filme que bem entendesse, tamanho a qualidade de seu primeiro filme como diretor. Bem, foi isso que fez com que os produtores assinassem cheques para "Waterworld". Um fracasso nas bilheterias e resenhas. Mas, e daí? Ele fez Dança com Lobos! Deêm mais uma chance para ele! Costner faz "O Mensageiro" e lá se vai mais um pouco da credibilidade do ator ao fazer outro filme apocalíptico (tanto no tema como para carreira do astro). Os dois filmes foram fracassos avassaladores. Não são os piores filmes do mundo, mas parecem. Pioram de aparência se comparamos com a carpintaria de Dança com Lobos. O filme é o produto que todas as produtoras de Hollywood gostariam de exibir na noite do Oscar. Grandioso, e ao mesmo tempo delicado. Remonta a história americana, e ao mesmo tempo a reescreve. Aponta manchas na construção da América, mas ao mesmo tempo deixa todo mundo sair do cinema com a sensação de que nem tudo está perdido. O filme com todo seu bom mocismo, sem falar na cena de Kevin Costner pelado, é o genro ideal que Hollywood até hoje sonha levar todo ano às salas de cinema. É um dos exemplos mais bem acabados da grande máquina de contar histórias de Hollywood. Acho impossível não terminar de assistir o filme e ter vontade de mandar uma grana pro Costner fazer outro filme. Mas aí lembramos daquele filme da água, ou do outro em que ele é carteiro, e a vontade passa.
(Costner dirigiu "O Mensageiro" e produziu o "Waterworld". Este foi dirigido pelo Kevin Reinolds, que dirigiu novamente Costner na série "Hatfield & MacCoy")
Quantos dias para a guerra?
Planeta dos Macacos: O Confronto
(Dawn of the Planet of the Apes)
2014
Fiquei bastante perdido dentro deste novo filme que mostra mais um capítulo na extensa história dos macacos dominando a terra. Não por conta da história mas do tempo da história. Numa cena um dos personagens humanos é obrigado a ficar dentro de um jipe esperando os outros. Passa-se um dia e uma noite e encontramos ele de novo, sentado no mesmo jipe. O que ele fez nesse tempo todo? Quanto tempo demorou para os humanos consertarem a represa? Numa cena o chefe humano diz que eles só tem três dias para consertarem a represa, depois o chefe macaco diz que eles tem ainda mais um. Mas eu fiquei achando que foi muito mais tempo que demorou para consertar. Em outra cena, vemos o macaco que tomou um tiro se recuperando, temos a sensação de que se passaram apenas algumas horas, e de repente um personagem surge e diz que faz dois dias que o filho não volta.
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| Macacos pegam em armas e cavalgam no novo filme, mas não usam roupas ao contrário do filme de 1968 |
Os filmes de ação ganham muito do seu impacto pela precisão com que o espectador consegue acompanhar o tempo que a história demora para se desenrolar. Lembremos de Duro de Matar, em que Bruce Willis tem uma noite para salvar o prédio, ou Jurassic Park, em que os visitantes tem um fim-de-semana para passear pelo parque, ou Matar ou Morrer, em que o relógio nos lembra constantemente dos minutos que faltam para a chegada do bandido na estação de trem.
Planeta dos Macacos: O Confronto não consegue deixar claro a passagem do tempo, o que dilui a intensidade das cenas de ação. E são essas cenas, assim como a riqueza do personagem de Koba, que fazem o filme envolvente. Koba é o macaco que segue o líder Cesar, mas acaba cedendo ao desejo de se vingar dos humanos ao entender que seu líder os trata com empatia. Antes de começar o banho de sangue organizado por Koba, sua personalidade violenta mantém o espectador atento. Depois que começa, acabamos nos perdendo em tantos tiros assim como os temas que o filme tenta abordar.
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| Personagem de Koba (com a arma) impressiona pelo realismo do 3D e pela violência |
O tema mais interessante que o filme esboça é como seria a construção de uma sociedade em que macacos se comunicam por sinais. No entanto, sinto que nessa direção vale mais assistir aos documentários da Koko, aquela gorila que fala por sinais. Dizer que o filme levanta interessantes questões sobre violência na sociedade me parece o mesmo que elogiar "O Pequeno Príncipe" pela sua profundidade filosófica, ou seja, uma tolice. O filme pareceria ainda mais raso em sua abordagem de temas sociais se o comparássemos com o original de 1968. Mas não vou fazer isso, porque este filme, assim como a maioria dos produtos produzidos à sombra do filme original, não deve contaminar a leitura daquele filme excepcional. Apreciar este filme como um descontraído filme de ação é mais justo
AS AVENTURAS DE WALLACE
Reassisti ao filme "Braveheart", que em 1995 conquistou para Mel Gibson o Oscar de melhor filme e diretor. Hoje, Gibson deixou de ser sinônimo de sucesso após infelizes manchetes de jornal envolvendo acusações de antisemitismo, alcoolismo e violência contra a mulher. Mas em 1995 ele era quente e "Coração Valente" foi febre.
Na história, o personagem de Gibson é William Wallace, um escocês que lá pelos anos de 1290 luta contra os ingleses pela libertação da Escócia. Sua luta começa como vingança pela morte da esposa por soldados ingleses. Um Mad Max com exército que ao invés de um carro anda a cavalo. O filme é bem fácil de seguir e não tem problema em ser bem didático, quase caricatural. Os ingleses são uns nojentos, mataram a mulher dele, o príncipe herdeiro, um frouxo, fica escolhendo tecido para suas túnicas junto com o namorado, enquanto a edição mostra em paralelo os bravos seguidores de Wallace esmigalhando a cabeça dos soldados ingleses. Não tem como não torcer por eles. O grupo de Wallace parece desenhado à imagem dos valentes companheiros de Robin Hood lutando contra a tirania. No meio dessa fábula, um personagem se destaca pela sua complexidade. Robert the Bruce é um rico herdeiro de terras da Escócia que acaba traindo Wallace, que admira, ao ouvir seu inescrupuloso pai. Note-se que para ser mais fácil de entender que o pai é sujo colocam ele como leproso. Sutileza não tem espaço nesse filme.
No final, Wallace ao contrário do sempre esquivo Robin Hood, é preso e decapitado. Claro, antes disso, ele dorme com a esposa do príncipe, para provar que nesse filme quem ganha é "macho". Sua morte e luta servem de inspiração para que os escoceses continuem lutando pela liberdade. Talvez seu fim trágico tenha sido como o de muitos que inspiraram as lendas de Robin Hood, ou daqueles mártires que por elas foram inspirados.
Na história, o personagem de Gibson é William Wallace, um escocês que lá pelos anos de 1290 luta contra os ingleses pela libertação da Escócia. Sua luta começa como vingança pela morte da esposa por soldados ingleses. Um Mad Max com exército que ao invés de um carro anda a cavalo. O filme é bem fácil de seguir e não tem problema em ser bem didático, quase caricatural. Os ingleses são uns nojentos, mataram a mulher dele, o príncipe herdeiro, um frouxo, fica escolhendo tecido para suas túnicas junto com o namorado, enquanto a edição mostra em paralelo os bravos seguidores de Wallace esmigalhando a cabeça dos soldados ingleses. Não tem como não torcer por eles. O grupo de Wallace parece desenhado à imagem dos valentes companheiros de Robin Hood lutando contra a tirania. No meio dessa fábula, um personagem se destaca pela sua complexidade. Robert the Bruce é um rico herdeiro de terras da Escócia que acaba traindo Wallace, que admira, ao ouvir seu inescrupuloso pai. Note-se que para ser mais fácil de entender que o pai é sujo colocam ele como leproso. Sutileza não tem espaço nesse filme.
No final, Wallace ao contrário do sempre esquivo Robin Hood, é preso e decapitado. Claro, antes disso, ele dorme com a esposa do príncipe, para provar que nesse filme quem ganha é "macho". Sua morte e luta servem de inspiração para que os escoceses continuem lutando pela liberdade. Talvez seu fim trágico tenha sido como o de muitos que inspiraram as lendas de Robin Hood, ou daqueles mártires que por elas foram inspirados.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
O LOBO DE WALL STREET
O filme conta a história de um corretor de ações que ficou rico com negociações que ludibriavam seus clientes e gastou parte da fortuna em drogas, prostitutas e passatempos irresponsáveis como arremesso de anões. A primeira meia hora é a mais interessante por apresentar de maneira clara como o personagem, Jordan Belfort, baseado num sujeito real, começou a entender o funcionamento das corretoras e a ganhar dinheiro com certas estratégias de venda. Graças a sua capacidade de vender e gerenciar uma equipe cada vez maior, Belfort passou a ganhar fortunas. Depois que compreendemos a desmedida ganância de Belfort e começamos a acompanhar sua conta bancária indo às alturas, o filme passa a apresentar apenas as extravagâncias que o dinheiro de Belfort possibilitava, como comprar um iate gigantesco, fazer uma orgia dentro de um avião, entre outras. Então quando o FBI enquadra o sujeito, temos a sensação de que ele é preso por conta do seu estilo de vida obsceno e não pela forma desonesta como ganhava dinheiro. Ficaria mais impressionado pelo filme se ele esmiuçasse melhor como Belfort e seus corretores angariavam clientes, além de mostrar como o FBI trabalhou na investigação que terminou com a prisão de Belfort. No final, o filme deixou de fazer um paralelo mais direto entre Belfort e o tipo de movimentação financeira que provocou a crise de 2008. Algo que poderia ter sido encaixado com folga nos 180 minutos do filme
sábado, 29 de março de 2014
INSIDE A LOOSER
Inside LLewin Davis (2013)
Joel and Ethan Coen
Nas aulas de roteiro, aprendemos que nosso protagonista tem que passar por um obstáculo claro, que pode levá-lo ao sucesso ou ao fracasso de sua jornada. Quando assistimos a um filme estamos sempre torcendo pra que nosso herói supere o obstáculo que o mundo o colocou, ou que ele mesmo se colocou. Existe uma simplificação necessária nesta proposta. Em nossas vidas não conseguimos definir qual é o o obstáculo que vai resolver todos os nós da nossa existência. Qual será o desafio que nos levará à salvação ou à danação? No cinema, essa simplificação nos dá um alívio que nos falta ao enfrentarmos os sofrimentos da vida. Ao contrário da maioria dos filmes, é difícil identificar esse desafio em nossas vidas.
É libertador assistir ao novo filme dos irmãos Coen nesse sentido. O cantor folk Llewin Davis passa por um monte de perrengues, e nenhum deles necessariamente iria livrar ele do outro perrengue. Mesmo o sucesso como cantor não iria livrar ele da incapacidade de lidar com pessoas. Arranjar uma parceira amorosa e família provavelmente também não iria livrar ele das dúvidas em relação à sua música e sucesso. Me senti libertado por acompanhar uma história em que o personagem não pode ser salvo ou destruido por um único evento. Assistir ao filme é como acompanhar a vida de um amigo, pra quem temos um milhão de sugestões de como melhorar suas atitudes, mas no final essas são sugestões e não verdadeiras soluções. Aceitar isso é aceitar que todos vamos sofrer na nossa passagem por esse planeta, cada um por diferentes motivos. Nunca veremos onde é que erramos a mão.. se é que erramos a mão, ou se é o mundo que não contribuiu para o nosso sucesso. Nas mãos de outros diretores essa constatação faria o espectador chorar. Grandes contadores de história que são, os Coen nos fazem sorrir.
Joel and Ethan Coen
Nas aulas de roteiro, aprendemos que nosso protagonista tem que passar por um obstáculo claro, que pode levá-lo ao sucesso ou ao fracasso de sua jornada. Quando assistimos a um filme estamos sempre torcendo pra que nosso herói supere o obstáculo que o mundo o colocou, ou que ele mesmo se colocou. Existe uma simplificação necessária nesta proposta. Em nossas vidas não conseguimos definir qual é o o obstáculo que vai resolver todos os nós da nossa existência. Qual será o desafio que nos levará à salvação ou à danação? No cinema, essa simplificação nos dá um alívio que nos falta ao enfrentarmos os sofrimentos da vida. Ao contrário da maioria dos filmes, é difícil identificar esse desafio em nossas vidas.
É libertador assistir ao novo filme dos irmãos Coen nesse sentido. O cantor folk Llewin Davis passa por um monte de perrengues, e nenhum deles necessariamente iria livrar ele do outro perrengue. Mesmo o sucesso como cantor não iria livrar ele da incapacidade de lidar com pessoas. Arranjar uma parceira amorosa e família provavelmente também não iria livrar ele das dúvidas em relação à sua música e sucesso. Me senti libertado por acompanhar uma história em que o personagem não pode ser salvo ou destruido por um único evento. Assistir ao filme é como acompanhar a vida de um amigo, pra quem temos um milhão de sugestões de como melhorar suas atitudes, mas no final essas são sugestões e não verdadeiras soluções. Aceitar isso é aceitar que todos vamos sofrer na nossa passagem por esse planeta, cada um por diferentes motivos. Nunca veremos onde é que erramos a mão.. se é que erramos a mão, ou se é o mundo que não contribuiu para o nosso sucesso. Nas mãos de outros diretores essa constatação faria o espectador chorar. Grandes contadores de história que são, os Coen nos fazem sorrir.
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