Reassisti ao filme "Braveheart", que em 1995 conquistou para Mel Gibson o Oscar de melhor filme e diretor. Hoje, Gibson deixou de ser sinônimo de sucesso após infelizes manchetes de jornal envolvendo acusações de antisemitismo, alcoolismo e violência contra a mulher. Mas em 1995 ele era quente e "Coração Valente" foi febre.
Na história, o personagem de Gibson é William Wallace, um escocês que lá pelos anos de 1290 luta contra os ingleses pela libertação da Escócia. Sua luta começa como vingança pela morte da esposa por soldados ingleses. Um Mad Max com exército que ao invés de um carro anda a cavalo. O filme é bem fácil de seguir e não tem problema em ser bem didático, quase caricatural. Os ingleses são uns nojentos, mataram a mulher dele, o príncipe herdeiro, um frouxo, fica escolhendo tecido para suas túnicas junto com o namorado, enquanto a edição mostra em paralelo os bravos seguidores de Wallace esmigalhando a cabeça dos soldados ingleses. Não tem como não torcer por eles. O grupo de Wallace parece desenhado à imagem dos valentes companheiros de Robin Hood lutando contra a tirania. No meio dessa fábula, um personagem se destaca pela sua complexidade. Robert the Bruce é um rico herdeiro de terras da Escócia que acaba traindo Wallace, que admira, ao ouvir seu inescrupuloso pai. Note-se que para ser mais fácil de entender que o pai é sujo colocam ele como leproso. Sutileza não tem espaço nesse filme.
No final, Wallace ao contrário do sempre esquivo Robin Hood, é preso e decapitado. Claro, antes disso, ele dorme com a esposa do príncipe, para provar que nesse filme quem ganha é "macho". Sua morte e luta servem de inspiração para que os escoceses continuem lutando pela liberdade. Talvez seu fim trágico tenha sido como o de muitos que inspiraram as lendas de Robin Hood, ou daqueles mártires que por elas foram inspirados.

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