Planeta dos Macacos: O Confronto
(Dawn of the Planet of the Apes)
2014
Fiquei bastante perdido dentro deste novo filme que mostra mais um capítulo na extensa história dos macacos dominando a terra. Não por conta da história mas do tempo da história. Numa cena um dos personagens humanos é obrigado a ficar dentro de um jipe esperando os outros. Passa-se um dia e uma noite e encontramos ele de novo, sentado no mesmo jipe. O que ele fez nesse tempo todo? Quanto tempo demorou para os humanos consertarem a represa? Numa cena o chefe humano diz que eles só tem três dias para consertarem a represa, depois o chefe macaco diz que eles tem ainda mais um. Mas eu fiquei achando que foi muito mais tempo que demorou para consertar. Em outra cena, vemos o macaco que tomou um tiro se recuperando, temos a sensação de que se passaram apenas algumas horas, e de repente um personagem surge e diz que faz dois dias que o filho não volta.
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| Macacos pegam em armas e cavalgam no novo filme, mas não usam roupas ao contrário do filme de 1968 |
Os filmes de ação ganham muito do seu impacto pela precisão com que o espectador consegue acompanhar o tempo que a história demora para se desenrolar. Lembremos de Duro de Matar, em que Bruce Willis tem uma noite para salvar o prédio, ou Jurassic Park, em que os visitantes tem um fim-de-semana para passear pelo parque, ou Matar ou Morrer, em que o relógio nos lembra constantemente dos minutos que faltam para a chegada do bandido na estação de trem.
Planeta dos Macacos: O Confronto não consegue deixar claro a passagem do tempo, o que dilui a intensidade das cenas de ação. E são essas cenas, assim como a riqueza do personagem de Koba, que fazem o filme envolvente. Koba é o macaco que segue o líder Cesar, mas acaba cedendo ao desejo de se vingar dos humanos ao entender que seu líder os trata com empatia. Antes de começar o banho de sangue organizado por Koba, sua personalidade violenta mantém o espectador atento. Depois que começa, acabamos nos perdendo em tantos tiros assim como os temas que o filme tenta abordar.
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| Personagem de Koba (com a arma) impressiona pelo realismo do 3D e pela violência |
O tema mais interessante que o filme esboça é como seria a construção de uma sociedade em que macacos se comunicam por sinais. No entanto, sinto que nessa direção vale mais assistir aos documentários da Koko, aquela gorila que fala por sinais. Dizer que o filme levanta interessantes questões sobre violência na sociedade me parece o mesmo que elogiar "O Pequeno Príncipe" pela sua profundidade filosófica, ou seja, uma tolice. O filme pareceria ainda mais raso em sua abordagem de temas sociais se o comparássemos com o original de 1968. Mas não vou fazer isso, porque este filme, assim como a maioria dos produtos produzidos à sombra do filme original, não deve contaminar a leitura daquele filme excepcional. Apreciar este filme como um descontraído filme de ação é mais justo


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