Fiquei muito empolgado no começo de Interestelar, quando o fazendeiro vai na escola dos filhos e os professores dizem que a filha menor anda dizendo mentiras, como que os americanos puseram os pés na lua. Como esse filme vai me colocar numa nave espacial num futuro onde todos os humanos viraram fazendeiros e ninguém mais dá valor para a engenharia? Então, uma série de sinais estranhos na biblioteca leva o fazendeiro para uma instalação secreta onde se esconde o que restou da Nasa. Fiquei intrigado, mas, de repente, enquanto explicam como o mundo, a Nasa e a humanidade chegaram naquele ponto, um cientista velho aperta um botão e a parede se abre e vemos uma nave espacial, e o fazendeiro entra na nave e enquanto os outros astronautas explicam como o tempo corre diferente quando atravessamos um buraco negro para quem ficou na terra eu ainda nem entendi o que estava acontecendo na biblioteca na casa do fazendeiro. É como se no filme Jurassic Park, o dono do parque explicasse como eles clonaram os dinossauros enquanto a turma foge dos velociraptors.
Não sou capaz de acompanhar essas duas linhas narrativas sobrepostas, a explicação e a ação.
O filme me pareceu ter muitas boas ideias, mas muitas, muitas. Não sabia se tinha que prestar atenção nas explicações ou nos alçapões se abrindo, e nos robôs caminhando no gelo. Fiquei perdido. Me senti quando coloco o DVD e assisto com o botão dos comentários do diretor ligado, não consegui me decidir entre prestar atenção no que estava sendo falado e na nave atravessando os buracos negros. Sinceramente, porque o personagem do Matt Damon não para de falar um minuto, mal fui capaz de entender o que tinha no planeta dele, ou o que ele estava fazendo no filme. Me senti um velho tentando jogar conversar e jogar videogame ao mesmo tempo. Da próxima vez que assistir vou colocar o filme em câmera lenta e no modo mudo para tentar entender o que está acontecendo.
