Joel and Ethan Coen
Nas aulas de roteiro, aprendemos que nosso protagonista tem que passar por um obstáculo claro, que pode levá-lo ao sucesso ou ao fracasso de sua jornada. Quando assistimos a um filme estamos sempre torcendo pra que nosso herói supere o obstáculo que o mundo o colocou, ou que ele mesmo se colocou. Existe uma simplificação necessária nesta proposta. Em nossas vidas não conseguimos definir qual é o o obstáculo que vai resolver todos os nós da nossa existência. Qual será o desafio que nos levará à salvação ou à danação? No cinema, essa simplificação nos dá um alívio que nos falta ao enfrentarmos os sofrimentos da vida. Ao contrário da maioria dos filmes, é difícil identificar esse desafio em nossas vidas.
É libertador assistir ao novo filme dos irmãos Coen nesse sentido. O cantor folk Llewin Davis passa por um monte de perrengues, e nenhum deles necessariamente iria livrar ele do outro perrengue. Mesmo o sucesso como cantor não iria livrar ele da incapacidade de lidar com pessoas. Arranjar uma parceira amorosa e família provavelmente também não iria livrar ele das dúvidas em relação à sua música e sucesso. Me senti libertado por acompanhar uma história em que o personagem não pode ser salvo ou destruido por um único evento. Assistir ao filme é como acompanhar a vida de um amigo, pra quem temos um milhão de sugestões de como melhorar suas atitudes, mas no final essas são sugestões e não verdadeiras soluções. Aceitar isso é aceitar que todos vamos sofrer na nossa passagem por esse planeta, cada um por diferentes motivos. Nunca veremos onde é que erramos a mão.. se é que erramos a mão, ou se é o mundo que não contribuiu para o nosso sucesso. Nas mãos de outros diretores essa constatação faria o espectador chorar. Grandes contadores de história que são, os Coen nos fazem sorrir.