terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O MELHOR QUE VI NO CINEMA ESTE ANO

"Le Meilleur" como diz Alain Delon em "Plein Soleil"


Apesar do título do post, não sou capaz de definir quais foram os melhores filmes do ano. Primeiro, porque não assisti nem mesmo a maioria dos filmes que estrearam ou foram badalados este ano.
Segundo, porque coloco aqui um resumo do que mais me impressionou assistir este ano. Ou seja, o que eu mais me diverti assistindo independente da pretensa qualidade técnica ou conceitual que o filme possa ter. Às vezes adoramos um filme que sabemos estar cheio de furos, defeitos, incoerências, que os críticos se divertem em nos apontar. Aliás às vezes nem precisa ser um longa metragem como verão no primeiro lugar da lista. A lista traz, então, as 5 coisas que mais me divertiram ver numa tela de cinema este ano







1 - 1º trailer de "The Secret Life of Walter Mitty"
WOW. Não sei se porque tenho achado a maioria dos trailers dos últimos tempos tolos, ou por entregarem demais da história, ou por parecerem continuação de "A Àrvore da Vida", como o trailer do último Superman, ou do "Interstellar". Em minha opinião este trailer não faz nem uma coisa nem outra e consegue ser um puta convite para ir ao cinema. Apresentação de personagem cômica, música divertida, imagens estonteantes e uma baita vontade que dá de entender pra onde essa história caminha. Uma vontade tão grande que pode até funcionar contra o filme. Eu gostei tanto do trailer que tenho até receio de que o filme não seja tão impressionante. Talvez o que eles deixaram de fora do trailer seja realmente descartável e o filme cansativo. O trailer consegue ser um filme completo, talvez ele seja a edição daquilo que seja essencial no filme. Fui capaz de preencher com minha imaginação o que acontece entre Walter Mitty pular pra dentro de um helicóptero ou arremessar o colega de trabalho pela janela. O filme talvez me roube esta liberdade de imaginar que o trailer me deu



2 -  A aventura de Kon Tiki
Falando em trailer, assisti ao trailer deste filme e achei que seria uma daquelas biografias tão maquiadas que em nenhum momento ia comprar a ideia de no fundo ser um retrato de uma aventura verídica. Adoro a história de como Heyerdahl atravessou o Pacífico numa jangada, tenho o livro e um postal lindo da década de 50 com a foto da tal jangada, que uso pra marcador de página do livro. Estava, no entanto, com um pé atrás de não me emocionar com o filme. Bem o filme é, de fato, incrivelmente maquiado, ou, traduzindo, visualmente parece um comercial do National Geographic Channel. E realmente ficamos o tempo todo hipnotizados pela aparência de falsidade e beleza das imagens, como em "A Vida de Pi". Mas escapa ao trailer e sobra no longa a tensão e a alegria de acompanhar a vida destes sujeitos quase burros em tentar uma aventura arrogante dessas. O filme é um êxtase. Saímos do cinema com a sensação de que nós e o mundo ainda somos jovens, e que resta espaço pra burradas fenomenais e arrogantes como essa desses noruegueses



3 - Guerra Mundial Z
Acredito que a maioria dos sites e revistas especializados está colocando "Gravidade" na sua lista de melhores filmes do ano. O filme de Brad Pitt é em muitos níveis menos original, mais confuso, e certamente esteticamente menos elaborado que o balé espacial de Cuarón. O roteiro de Z parece cheio de furos, com muitos personagens entrando e saindo de cena como caricaturas recorrentes de todos os filmes já feitos de fim de mundo, as cenas parecem se amontoar que nem os CGIs de zumbis, sem qualquer estrutura verossímel. Mesmo assim o filme de Brad Pitt me fez vibrar no cinema, enquanto que o filme de Cuarón  em nenhum momento me pareceu algo mais do que um truque virtuoso de câmera. Não me importei com o destino de Bullock ou Clonney. Adorei a impossível cena do avião de Brad Pitt se despedaçando durante o voo e ele saindo ileso pra depois fazer merchandising da Pepsi no laboratório dos zumbis. Quando subiram os créditos finais de Z com sua música de balada eu estava dançando





4 - O lado bom da vida
Poucas vezes na vida fui ao cinema sozinho. Quase sempre fui porque estava depressivo demais para chamar a qualquer companhia, ou fazer outra coisa. Todas as vezes que fui sozinho sai melhor do cinema. Eu estava passando por um problema pessoal muito grande quando entrei no cinema para ver "O Lado Bom da Vida" e, nossa, como eu sai leve. Me identifiquei com o personagem de Bradley Cooper, que tenta se controlar em sua violência pra pensar melhor sobre o que perdeu. Ele está divertidíssimo no filme. Assim como Robert Deniro, que eu acho chato em todos os filmes de comédia que participa. O cuidado com que os personagens tentam lidar com os próprios problemas, e com os problemas de seus próximos me deixou emocionado. Feel good movie of the year for me



5 -  O Sol por Testemunha
Se eu pudesse escolher ter dirigido apenas uma cena no cinema pra ter no currículo essa seria a cena da retirada do barco da água de "Plein Soleil", como o filme é chamado em francês. Que crueldade e que beleza carrega esta imagem. O filme nos leva bem devagar a ficarmos à vontade com o personagem de Ripley e depois que entendemos que ele é um pscicopata, estamos cúmplices dele, já não podemos julgá-lo apenas torcer para que não seja pego. É nosso herói. E essa tomada é tão cruel porque nos faz sentir dó do psicopata. Aliás, não o vemos como um pscicopata, mas como um bon vivant. A cena do barco é uma punhalada. Não estava no livro original e por mais que traia a criatividade da autora Patricia Highsmith, que nunca quis ver Ripley preso, é essa cena que faz com que o filme não saia da nossa cabeça nunca mais, além do Alain Delon sem camisa, é claro. Ô, homem bonito

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Do falecimento de Tom Clancy e do desaparecimento de Mctiernan

The Hunt for The Red OCTOBER (1990)


Connery com o cabelo no estilo Samuel Beckett conforme ele mesmo sugeriu aos produtores



Quando era criança, certa vez, na casa de meu avô, meus tios, meus tios-avós e meu pai ficaram acordados até tarde porque ia passar na TV este filme. Eu tentei ficar acordado, mas assisti ao filme até a metade. Não entendi nada da sua história. Só entendia que me parecia um filme de ação muito sério, para homens mais velhos. Reassisti ao filme dezenas de vezes enquanto crescia e a sensação de um filme para homens mais velhos sempre estava lá. Até hoje é um dos filmes que tenho mais prazer em reassistir, ele ainda me faz sentir mais jovem em frente a essa história de homens no mar.


O diretor John Mctiernan tinha acabado de lançar Duro de Matar, filme que redefiniu como Hollywood deveria fazer seus blockbusters e usar em igual medida humor e explosões. A sofisticação que ele alcançou em Duro de Matar, ele e sua equipe tentaram superar em "Caçada ao Outubro Vermelho". As ações paralelas e a tensão são ainda mais intrincadas que em "Duro de Matar", as consequências de cada fala, o jogo político, são construídos de maneira muito cerebral. David Ansen da Newsweek escreveu que o filme falha no nível do estômago. Mesmo Mctiernan diz nos comentários em áudio que o filme não seria feito da mesma forma se fosse hoje pois existem muitas cenas paradas demais, pricipalmente o monólogo de Sean Connery sobre ter feito sua mulher viúva ao ter se lançado ao mar.



Alec Baldwin no papel de Jack Ryan, que mais tarde foi de Harrison Ford e Ben Afleck


Acho que o que nos estranha ao assistir ao filme hoje, e talvez já fosse assim quando foi lançado em 1990, é que é um filme de entretenimento lidando com assuntos políticos pesados e dirigido com a seriedade que encontramos em "Zero Dark Thirty" de Katherine Bigelow, filme sobre o assassinato de Bin Laden. Mesmo com todo o peso de tratar sobre submarino nuclear, guerra fria, tensão atômica, o filme de Mctiernan sobre o livro de Tom Clancy é uma aventura marítima nos moldes dos livros de Jack London ou Stevenson. O diretor comenta no making-off que para ele a estrutura do livro de Clancy era a mesma de "A Ilha do Tesouro", não importando que no livro Jim Hawkins seja uma criança e o protagonista de Clancy um homem de trinta e poucos.


Do casamento de uma aventura marítima com o quebra-cabeça político da guerra fria, o filme se contruíu como uma versão de "A Ilha do Tesouro" para adultos. Assim como no livro de Stevenson, a construção dos personagens, suas artimanhas e malícias são muito mais saborosas que as lutas de espada, ou no caso de Clancy as perseguições de submarino. Em grande parte esse prazer é resultado dos diálogos com que John Milius enriqueceu o roteiro. Sempre existe uma citação (mesmo que falsa) de Colombo, Cortéz, ou outros homens do mar mitológicos. Os personagens do filme parecem querer remontar uma tradição longa de piratas, corsários e marinheiros.



Cada submarino do filme é identificado por uma cor de iluminação


Outros filmes foram feitos com os personagens de Tom Clancy. Chamaram Harrison Ford para o papel que tinha sido de Alec Baldwin. Vinte anos depois do lançamento de "Caçada" os dois filmes de Ford ("Jogos Patrióticos" e "Perigo Real e Imediato") parecem envelhecidos, principalmente na comparação com a fotografia do filme de 90, do sensacional Jan de Bont. A sensação de aventura também não migrou para os filmes de Ford. Eles parecem thrillers políticos tão datados quanto "Os Três Dias do Condor" de 1975. "Caçada", no entanto, continua a ser divertido e moderno, não pintando nenhum dos lados da guerra fria como vilões. Os filmes de Katherine Bigelow são dirigidos hoje com a mesma seriedade que encontramos em "Caçada", mas são pesados demais em sua temática para que digamos que se tratam de entretenimento. Talvez eu esteja sendo tolo em afirmar que o tipo de entretenimento que "Caçada" propõe, e que remonta aos filmes sobre a 2ª Guerra como "Os Canhões de Navarone" não é encontrado mais em Hollywood.


PS: John Mctiernan está impossibilitado de fazer filmes desde que se envolveu num escândalo de escutas telefônicas com um detetive particular. Na internet existe um movimento para pedir que ele possa voltar a fazer filmes. Talvez seja um movimento sem capacidade de converter a situação dele. Mesmo assim vale dar uma olhada. 


https://www.facebook.com/freemctiernan?fref=ts






segunda-feira, 9 de setembro de 2013

MUNDO PERDIDO


The Lost World: Jurassic Park (1997)

"O Mundo Perdido" é o lado B de "Jurassic Park". Tudo aqui parece invertido em relação ao primeiro. Impossível seria capturar a magia do primeiro filme. "Jurassic Park" é responsável por um encantamento único, inédito, que não poderia ser alcançado por uma continuação. Nos parece que quem fez o filme sabia disso e não tentou refazer o primeiro filme enxertando mais do mesmo, como é típico no cinema. Fizeram um filme que  é o negativo do primeiro. Se no primeiro temos cores alegres, florestas de verde claro, carros e gadgets que parecem mesmo saídos de um parque de diversão, aqui temos cores sombrias, mata serrada, e locais de abrigo mal iluminados. A trilha de John Williams emprega muita percussão, o que remete a filmes de safari, sons tribais. A fotografia de Janusz Kaminski mal ajuda a ver o que se esconde nas árvores. É como um pesadelo em que tudo está fora do controle. 

Sabiamente, escolheram como herói o personagem mais sombrio do primeiro filme, Ian Malcom (Jeff Goldblum). O humor dele é amargo e a maioria das piadas (de diálogo e visuais) não é saborosa como no primeiro filme. A violência carrega humor negro, como na cena que o sujeito morre ao ir urinar, ou quando outro é esmagado por uma pata de dinossauro. Curioso que o humor parece mais vivo que o do filme anterior. Os diálogos são mais vivos e menos caricatos. O personagem mais detestável, e para quem o roteiro guarda uma deliciosa reviravolta, é o do caçador (Pete Postlethwaite). Suas frases são de uma secura que falta completamente ao primeiro filme e dão o tom para toda crueldade empregada neste segundo. Em certa cena ele diz, "Já estive em safáris demais com dentistas ricos para ter que aguentar mais uma ideia suicida, ok?"

Não existe nenhum ideal como no primeiro filme. A ideia da construção de um parque parece horrível desde o começo, a relação de Ian com sua filha é amarga ("Você gosta de fazer filhos mas não de criá-los", diz ela durante uma discussão), as mortes acontecem aos montes. Mesmo assim, as cenas de ação são elaboradas e divertidas.

"O Mundo Perdido" é uma continuação dirigida com uma seriedade que encontramos em "Aliens" de James Cameron. Uma continuação feita com imaginação e empenho. Meu único desapontamento com o filme é que ele não termine com a imagem do Tiranossauro urrando após atravessar o porto, com a silhueta da cidade de San Diego ao fundo. É uma imagem que representa bem o clima de pesadelo do filme. Teria sido aterrorizante ser mandado para fora do cinema com esta imagem gravada na memória ao invés do final apaziguador que o filme tem.





Cena deletada do filme que introduz o personagem de Pete Postlethwaite

sábado, 7 de setembro de 2013

NÃO POUPEI DESPESAS



JURASSIC PARK (1993)

Dr. Grant, paleontólogo experiente interpretado por Sam Neil, na primeira vez que vê um braquiossauro vivo na ilha vira para o dono do parque e diz - Uh.. uh... é um dinossauro! É a mesma frase que qualquer criança soltaria.

É este tipo de diversão que o filme nos traz. Voltamos a ser crianças e acreditar que dinossauros moram numa ilha distante. Voltamos a ser encantados e iludidos pelas imagens e pela música essencial de John Williams. O filme é uma versão com adultos de "Querida Encolhi as Crianças". Correria e fantasia. Os efeitos visuais são incríveis e os dinos verossímeis mesmo vinte anos de tecnologia depois. Spielberg e a equipe de efeitos certamente não pouparam despesas aqui

Mas mesmo assim, o que faz deste filme único e ainda hoje um marco ser superado no cinema-pipoca, é que ele foi escrito e pensado não como um filme de ação, mas como uma comédia

Apesar da emoção toda que temos com a ação e correria, a diversão existe porque em cada fresta de filme, Spielberg e seus roteiristas injetaram piadinhas, sacadas visuais, falas engraçadinhas, tudo para ser  uma comédia. Os diálogos parecem saídos de uma sitcom, com todos os personagens falando coisas engraçadinhas, ou às vezes, coisas propositalmente ridículas (como quando DR. Grant telefona para Hammond e diz - Hammond, os telefones estão funcionando!). No plano visual, o filme também é pensado como uma comédia física, as cores, as cenas de ação, como a do carro descendo a árvore enquanto Grant e Tim fogem pelos galhos, ou o braço de Arnold (Sam Jackson antes da fama) caindo sobre a Dra. Satler e causando nela um falso alívio. Tudo isso embalado numa edição elegantemente enxuta e esperta. Meu truque de edição favorito do filme é a cena em que Hammond pergunta onde pararam os carros de passeio e a próxima tomada é a cabra berrando, o que é a maneira inteligente de mostrar que eles estão na frente da jaula do Tiranossauro, e que sua situação de presa não difere muito da situação da cabra.

Assistir Jurassic Park nos faz lembrar porque gostamos de ir ao cinema. No fundo talvez eu tenha sido marcado eternamente pelo que acho do cinema a partir da experiência deste filme. Ainda acredito que os grandes filmes devem ter o poder de fazer rir, divertir e aterrorizar na mesma medida


Mapa impresso no livro de Michael Chrichton que deu origem ao filme



Making off de como foram feitos os velociraptors



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

UM BOM FILME COM RUSSEL CROWE

MASTER AND COMMANDER (2003)

Assisti a este filme 3 vezes. A primeira vez, conclui que era um filme de belas cores mas que lhe faltava coração. Da última, percebi que o que eu esperava da primeira vez era uma aventura nos moldes de "Ilha do Tesouro", com personagens e falas transbordando de romantismo. Aquela sensação de aventura mais infatil. Isto não acontece neste filme. Ele é um filme de mar emocionante mas que não chega a ser caricatural como eu tanto queria. Só depois de 3 vezes comecei a identificar os personagens, a separar quem é quem. O filme não nos aproxima tão rápido destes marinheiros como um filme do Spielberg faria, por exemplo. Não temos vontade de nos lançarmos ao mar. Admiramos o barco, seu capitão e a beleza de uma cena de batalha. Mas este barco não é maior que qualquer outro, seu capitão não é o mais sábio ou bravo, nem a batalha é a última que lutaremos.

A maioria dos livros de aventura de garotos que vão para o mar começa com o rapaz em terra se encantando pela viagem. Este filme começa no mar e termina no mar. Não existe um encantamento pela viagem. Quase não sentimos a felicidade de uma vitória ao ver os mais jovens e bravos entre nós mortos e mutilados

Conseguimos ver um filme de dimensões grandiosas mas que para o bem ou para o mal não é caricatural.


CENA DE BATALHA DO FILME

PINTURA DE IVAN AIVAZOVSKY, 1846

terça-feira, 13 de agosto de 2013

KON TIKI

A Aventura de Kon Tiki
(KON TIKI, 2012)

A história do filme:
Thor Heyerdahl é um geógrafo norueguês que quer provar que as ilhas da Polinésia podem ter sido colonizadas pelos povos da América do Sul e não os povos da Ásia. Para chegar até essas ilhas é preciso atravessar a água que engole um baita naco do planeta Terra, o que chamamos Oceano Pacífico. Como a maioria dos mapas que vemos todos os dias representam o globo com o centro na Europa, é espantoso lembrar o quanto de água tem por aqueles lados. (ver imagem abaixo)

Heyerdahl acredita que embora seja mais perto chegar até às ilhas pela Àsia, a corrente marítima ajuda quem viaja desde a América do Sul. O único jeito que ele encontra para que geógrafos e historiadores não zombem de sua teoria é chamar uns colegas (amigos e não marinheiros profissionais) e atravessar o Pacífico numa balsa idêntica a que teria sido contruída com a tecnologia de 1500 anos atrás.

O filme conta esta história de maneira mitológica. As tomadas, as cores, a música, os diálogos nos direcionam sempre para sentirmos -WOW, como isso é possível? Como 6 sujeitos sem experiência em embarcações, a maioria nem sabe nadar, consegue atravessar em cima de umas toras de madeira 7 mil kilometros do oceano mais tempestuoso do planeta? Sem motor ou remo, só confiando na corrente e no vento? O filme aceita que é uma história fantástica e nos martela esse sentido de encantamento. É como se estivéssemos lendo A Volta ao Mundo em 80 dias com imagens da National Geographic. Este filme é assim um delicioso e pueril prazer como aquele que encontramos ao ler A Ilha Perdida da coleção Vagalume ou similares. Que Heyerdahl realmente existiu só aumenta a sensação de fábula e encantamento


Oceano Pacífico




Rota de Heyerdahl





Tripulantes reais da balsa



sábado, 10 de agosto de 2013

TIME AFTER TIME




Um Século em 43 Minutos
(Time After Time, 1979)


Malcolm Macdowell, ator famoso pelo papel principal em Laranja Mecânica, faz uma figura muito engraçada neste filme. Ele interpreta H.G. Wells, autor de meia dúzia de clássicos da literatura fantástica adaptados e clonados à exaustão por Hollywood, tal como "Guerra dos Mundos", " O Homem Invisível" e a "Máquina do Tempo". Segundo este filme, Wells não só escreveu este último romance como de fato construiu uma máquina capaz de atravessar séculos em minutos (daí o nome do filme). Antes de testar a viagem temporal, no entanto, um assassino de prostitutas de apelido Jack escapa da Scotland Yard usando a tal máquina. O humor surge do contraste dos modos antiquados de H.G. Wells com os modos do mundo moderno (de 1979). O mais divertido são os diálogos que trava com Mary Steenburgen, que repetiria o papel de namorada de um time-traveller em De Volta Para o Futuro 3. Em determinado momento, Mary pergunta porque Wells não compra uma arma para matar Jack, ao que Wells responde com um intrincado monólogo a respeito de como violência gera violência e sobre valores morais. Um discurso aparentemente inocente aos olhos do séc 20. Depois de terminado o discurso, a câmera corta para o rosto de Mary, atônita, que em seguida diz - Eu te amo


O filme avança ficando cada vez mais tenso e menos bem humorado. Mesmo assim é um agradável passatempo com suas anedotas remetendo à Inglaterra do séc 19, como a sacada do nome do cirurgião assassino ser Stevenson, autor de "O Médico e o Monstro"

Muitas ideias deste filme foram surrupiadas pelos realizadores de De Volta Para o Futuro, inclusive o o fato da viagem temporal inaugural de Wells e do Delorean ser no dia 5 de novembro. Aliás o mesmo dia da invenção do capacitor de fluxo


terça-feira, 23 de julho de 2013

NATIMORTO

NATIMORTO (2009)

Dentro de um apartamento que parece saído de "Amor À Flor da Pele", os personagens interpretados por Mutarelli e Simone travam uma DR infinita. Eles não são exatamente um casal e, talvez, por isso seja complicado entender o porque de todo falatório. Numa DR típica, cada um discute a falta de atenção do outro na hora do jantar ou da cama. Nunca fica claro o porque das discussões dos dois nesse filme.  Lourenço fala coisas degradantes e auto degradantes enquanto Simone ora se interessa por ele, ora o suporta. Porque ela o escuta? Ela está seduzida por ele? Ela se interessa pelo que ele fala ou se compadece dele? Ela deixe que ele durma encostado em seus seios porque tem dó do pobre depressivo? Caso seja isso, não compro essa história. Me parece mais que os realizadores deste filme materializaram seus sonhos eróticos masculinos. E os diálogos são sua desculpa intelectual para tirarem a roupa de Simone Spoladore. E ainda, covardemente, numa tomada distante e sem foco

PS: Muita gente realizou filmes curiosos cavucando fantasias sexuais machistas, como Fellini e Hitchcock por exemplo. (Meu amigo Claudio Medusa lembraria de diretores como Jess Franco)




Clique para ver Cenas de NATIMORTO

segunda-feira, 15 de julho de 2013

BRAD PITT salva o dia

GUERRA MUNDIAL Z

Em créole, o termo zonbi designa o cadáver que ganha vida através de feitiço. E o feiticeiro tem poder sobre o morto-vivo. Na maioria dos filmes em que mortos-vivos atacam os viventes nunca se sabe exatamente o porque deles voltarem da cova. E também na maioria dos filmes de zumbi, as pessoas estão mais preocupadas em se esconderem em shoppings e porões, ou correr para ilhas desertas, do que em descobrir o porque dos ataques. Nisso Guerra Mundial Z se diferencia dos filmes de Romero mas se aproxima do delicioso A Volta dos Mortos-Vivos. Brad Pitt vive um agente da ONU, que já esteve em diversas regiões de conflito (o que é explicado, como tudo no filme, em diálogo exageradamente sucinto). Ele tem a missão de descobrir a origem do que parece ser o vírus zumbi. É incrível o talento dele em descobrir algo no meio de tanta correria. Fiquei tenso com o filme? Sim. Me diverti? Muito. O filme entrega tensão e correria, requenta o tema Mortos-vivos ao trazer uma explicação científica para algo que a maioria do público nunca exigiu explicação. 

PS: Para um filme de zumbi com personagens e diálogos mais elaborados a comédia A Volta dos Mortos-Vivos, de 1985







sábado, 13 de julho de 2013

Quando Christian Slater tinha mais tempo de tela que Brad Pitt



AMOR À QUEIMA-ROUPA (True Romance, 1993)

Podem me espancar que nem o Walken espanca o Dennis Hopper numa das melhores cenas deste filme, mas não vou voltar atrás na minha certeza de que este não só é o melhor roteiro escrito por Quentin Tarantino como também o mais bem dirigido. Tony Scott, famoso por filmes como Ases Indomáveis e outras produções com muita ação e fotografia belissíma, dirige os diálogos de Tarantino sem que eles precisem de tempo para o espectador apreciá-los. Ele não diminui a marcha do filme nas cenas de diálogo como Tarantino faz nos filmes que dirige. A história é sobre um joão-ninguém que se apaixona por uma prostituta e atravessa os EUA para vender uma quantia absurda de drogas e poder mudar de vida. No caminho, gângsters, polícia e produtores de cinema correm atrás dos dois jovens e da grana. Tudo é muito ágil, divertido e colorido. Scott poderia ter dirigido mais roteiros inteligentes como esse e o roteiro de Tarantino se beneficiou muito de um diretor pra quem os diálogos não são tudo. E afinal o que aconteceu com Christian Slater?

PS: Uma vez li numa entrevista Hitchcock dizendo que ao dirigir uma cena de briga, deve-se dirigir do ponto de vista de quem vai perder. Achei uma ideia estranha, mas a cena de briga de Patricia Arquette e James Gandolfini no banheiro faz essa ideia fazer sentido




quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Experiência

Vou começar a colocar minhas percepções de alguns filmes que assisto. Não são exatamente análises,  só minhas sensações. Textos curtos. O críticos Ebert e Siskel diziam que falar sobre um filme é como  falar sobre um incêndio que acabou de presenciar. Você deve contar a coisa o mais direto possível, com a emoção instântanea que o evento te causou. Vou tentar isso.

A EXPERIÊNCIA (Das Experiment, 2001)

Este filme alemão tem o mesmo nome em português daquele filme americano em que uma loiraça alienígena seduz sexualmente homens para procriar (bom filme aliás). A história deste filme é sobre um pesquisador que seleciona 20 homens ao acaso e dá para metade deles o papel de guardas e para a outra metade o papel de prisioneiros e os coloca numa prisão enquanto vigia com câmeras o que eles fazem. Depois de alguns dias os guardas começam a ser sádicos com os prisioneiros e a violência foge do controle dos pesquisadores. Apesar do filme ser envolvente, a sensação que temos é que o médico é uma mula. O que ele queria testar? Ver até que ponto um homem é violento? Dar uma metralhadora para uma criança seria sua próxima pesquisa? O médico é sádico demais. Me pergunto se essa é a idéia do filme: mostrar que  alguns pesquisadores tem a capacidade de antever uma desgraça pior que a capacidade de uma criança. A história foi baseada num experimento real, mas na história real os pesquisadores pararam o experimento antes que a coisa toda virasse uma carnificina. Bom senso esse que faltou não só ao pesquisador retratado no filme como aos roteiristas

PS: Durante anos vi o poster desse filme e achei que se tratava de uma ficção científica nos moldes de "A Mosca. Esse verde neon e uns fios saindo da cabeça do sujeito acho que não ajudam a entender sobre o que o filme trata. Esta é a minha sensação


Capa do DVD americano



Capa do DVD da loira alienígena