terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O MELHOR QUE VI NO CINEMA ESTE ANO

"Le Meilleur" como diz Alain Delon em "Plein Soleil"


Apesar do título do post, não sou capaz de definir quais foram os melhores filmes do ano. Primeiro, porque não assisti nem mesmo a maioria dos filmes que estrearam ou foram badalados este ano.
Segundo, porque coloco aqui um resumo do que mais me impressionou assistir este ano. Ou seja, o que eu mais me diverti assistindo independente da pretensa qualidade técnica ou conceitual que o filme possa ter. Às vezes adoramos um filme que sabemos estar cheio de furos, defeitos, incoerências, que os críticos se divertem em nos apontar. Aliás às vezes nem precisa ser um longa metragem como verão no primeiro lugar da lista. A lista traz, então, as 5 coisas que mais me divertiram ver numa tela de cinema este ano







1 - 1º trailer de "The Secret Life of Walter Mitty"
WOW. Não sei se porque tenho achado a maioria dos trailers dos últimos tempos tolos, ou por entregarem demais da história, ou por parecerem continuação de "A Àrvore da Vida", como o trailer do último Superman, ou do "Interstellar". Em minha opinião este trailer não faz nem uma coisa nem outra e consegue ser um puta convite para ir ao cinema. Apresentação de personagem cômica, música divertida, imagens estonteantes e uma baita vontade que dá de entender pra onde essa história caminha. Uma vontade tão grande que pode até funcionar contra o filme. Eu gostei tanto do trailer que tenho até receio de que o filme não seja tão impressionante. Talvez o que eles deixaram de fora do trailer seja realmente descartável e o filme cansativo. O trailer consegue ser um filme completo, talvez ele seja a edição daquilo que seja essencial no filme. Fui capaz de preencher com minha imaginação o que acontece entre Walter Mitty pular pra dentro de um helicóptero ou arremessar o colega de trabalho pela janela. O filme talvez me roube esta liberdade de imaginar que o trailer me deu



2 -  A aventura de Kon Tiki
Falando em trailer, assisti ao trailer deste filme e achei que seria uma daquelas biografias tão maquiadas que em nenhum momento ia comprar a ideia de no fundo ser um retrato de uma aventura verídica. Adoro a história de como Heyerdahl atravessou o Pacífico numa jangada, tenho o livro e um postal lindo da década de 50 com a foto da tal jangada, que uso pra marcador de página do livro. Estava, no entanto, com um pé atrás de não me emocionar com o filme. Bem o filme é, de fato, incrivelmente maquiado, ou, traduzindo, visualmente parece um comercial do National Geographic Channel. E realmente ficamos o tempo todo hipnotizados pela aparência de falsidade e beleza das imagens, como em "A Vida de Pi". Mas escapa ao trailer e sobra no longa a tensão e a alegria de acompanhar a vida destes sujeitos quase burros em tentar uma aventura arrogante dessas. O filme é um êxtase. Saímos do cinema com a sensação de que nós e o mundo ainda somos jovens, e que resta espaço pra burradas fenomenais e arrogantes como essa desses noruegueses



3 - Guerra Mundial Z
Acredito que a maioria dos sites e revistas especializados está colocando "Gravidade" na sua lista de melhores filmes do ano. O filme de Brad Pitt é em muitos níveis menos original, mais confuso, e certamente esteticamente menos elaborado que o balé espacial de Cuarón. O roteiro de Z parece cheio de furos, com muitos personagens entrando e saindo de cena como caricaturas recorrentes de todos os filmes já feitos de fim de mundo, as cenas parecem se amontoar que nem os CGIs de zumbis, sem qualquer estrutura verossímel. Mesmo assim o filme de Brad Pitt me fez vibrar no cinema, enquanto que o filme de Cuarón  em nenhum momento me pareceu algo mais do que um truque virtuoso de câmera. Não me importei com o destino de Bullock ou Clonney. Adorei a impossível cena do avião de Brad Pitt se despedaçando durante o voo e ele saindo ileso pra depois fazer merchandising da Pepsi no laboratório dos zumbis. Quando subiram os créditos finais de Z com sua música de balada eu estava dançando





4 - O lado bom da vida
Poucas vezes na vida fui ao cinema sozinho. Quase sempre fui porque estava depressivo demais para chamar a qualquer companhia, ou fazer outra coisa. Todas as vezes que fui sozinho sai melhor do cinema. Eu estava passando por um problema pessoal muito grande quando entrei no cinema para ver "O Lado Bom da Vida" e, nossa, como eu sai leve. Me identifiquei com o personagem de Bradley Cooper, que tenta se controlar em sua violência pra pensar melhor sobre o que perdeu. Ele está divertidíssimo no filme. Assim como Robert Deniro, que eu acho chato em todos os filmes de comédia que participa. O cuidado com que os personagens tentam lidar com os próprios problemas, e com os problemas de seus próximos me deixou emocionado. Feel good movie of the year for me



5 -  O Sol por Testemunha
Se eu pudesse escolher ter dirigido apenas uma cena no cinema pra ter no currículo essa seria a cena da retirada do barco da água de "Plein Soleil", como o filme é chamado em francês. Que crueldade e que beleza carrega esta imagem. O filme nos leva bem devagar a ficarmos à vontade com o personagem de Ripley e depois que entendemos que ele é um pscicopata, estamos cúmplices dele, já não podemos julgá-lo apenas torcer para que não seja pego. É nosso herói. E essa tomada é tão cruel porque nos faz sentir dó do psicopata. Aliás, não o vemos como um pscicopata, mas como um bon vivant. A cena do barco é uma punhalada. Não estava no livro original e por mais que traia a criatividade da autora Patricia Highsmith, que nunca quis ver Ripley preso, é essa cena que faz com que o filme não saia da nossa cabeça nunca mais, além do Alain Delon sem camisa, é claro. Ô, homem bonito

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